Existe coisa mais "pré histórica" do que diário de classe? Penso que não. Aquele caderno azul celeste cheio de campos pra preencher tem me provocado náuseas, ultimamente. Número de "aulas dadas", número de "aulas previstas", número parcial de "faltas", número "total de faltas", "conteúdo lecionado", mês, ano, turma, bimestre, e claro, notas. Notas parciais, individuais, bimestrais, finais, de recuperação, enfim...
Milhões de professores em todo o Brasil passam as "tardes da eternidade" preechendo esses cadernos que são do tempo das nossas avós. Eles varam madrugadas e madrugadas somando 2,2 + 3,7 + 4,2 + ... até à exaustão completa.
Francamente! Estou cansada de ouvir por aí que "o professor é despreparado" mas quando se trata de denunciar o atraso do Estado, das secretarias de educação, dos burocratas de plantão, não aparece nenhum jornalista.Ninguém.
Uma planilhazinha excel, um programazinho básico, você clica no site da secretaria, baixa o arquivo e voilá: um diário eletrônico que soma faltas e notas!!! É pedir muito?? É o básico do básico, meu bem! Uma coisa tão simples, mas tão simples, que é simplesmente ridículo que os estados do país não tenham até hoje disponibilizado essa ferramenta para seus professores. É um verdadeiro atestado de incompetência!
Papai Noel, eu quero um diário eletrônico de natal!
Isso aí, D. Margarida. Tanto tempo gasto para "avaliar" o "ensino" nas escolas - com mais provas e notas, claro! - que não sobra tempo para coisas simples, baratas, que otimizam o tempo e, de quebra, ainda ajudam no consumo consciente, já serão milhões de folhas que deixarão de ser gastas e depois dispensadas no lixo. E depois as pessoas se perguntam porque os professores reclamam tanto...
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