sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012!

Em novembro, este blog completou um ano. Não comemorei. Esqueci completamente. Muito trabalho e fim de ano acumulados. Em 2011, voltei a estudar. Voltei a ser aluna.

Engraçado voltar a ser aluna depois de tanto tempo longe da universidade. De aluna desatenta na graduação passei a aluna nerd no curso de especialização. Meu boletim está cheio de conceitos A.

Reencontrei professores da época do meu passado negro. Nada como o passar dos anos para se entender que a vida é um pouco mais complicada do que julgamos quando temos 20 anos. E esses dez anos como professora em escolas públicas estaduais fizeram-me enxergar o quanto uma formação superior sólida é fundamental para se enfrentar o monstro da ignorância que grassa solto na Educação brasileira em geral.

Quanto mais eu dominar o conteúdo da minha disciplina, menos os alunos irão se tornar indiferentes a mim. O que nos deixa doentes, caro colega, é a indiferença. Não é o aluno que tem dificuldades para aprender que me assusta. Para ele estou preparada. O que me ameaça com a depressão são os alunos alheios à escola. Para eles, eu não valho nada. Eles não querem saber o que tenho a dizer.

Pode ser que haja alguma esperança para todos nós.
Desejo-lhe ótimas festas de fim de ano. E que venha 2012, com suas promessas de grandes mudanças.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011

Caro colega,

Penso ter sido fútil e insensível na última postagem desejando um "felicíssimo Natal" para todos. Ainda estamos amargando a não negociação do piso e a imposição do subsídio depois de mais de cem dias de uma greve sofrida, com cortes de salário, e todas as baixarias desse governo que se autodefine como eficiente e competente e se apóia eleitoralmente em alguns quilômetros de asfaltamento de estradas vicinais do Reino da Província.

Gostaria de dizer que, apesar de tudo, podemos nos considerar parcialmente vitoriosos, afinal conseguimos afetar a imagem do governo em relação à péssima situação da Educação e dos educadores em Minas Gerais. Mesmo sem piso, conseguimos um aumento de salário, que obviamente está longe de ser o suficiente para a nossa sobrevivência.

A luta não terminou. Com ou sem piso salarial, precisamos continuar lutando para ganharmos, pelo menos, 05 salários mínimos por cargo. Precisamos continuar lutando para que a sociedade brasileira, que paga impostos altíssimos, tome consciência de que uma educação pública, gratuita e de qualidade é um direito seu e um dever do Estado. Precisamos continuar lutando para mostrarmos à população que esse país não terá futuro se a maioria da população permanecer semi-analfabeta.

Por isso, caro colega, temos que continuar, em casa, nas ruas, nas escolas, participando mais, ampliando nossa consciência política, militando, denunciando, não aceitando, reivindicando, enfim, temos que continuar lutando por mais justiça social. A nossa causa é justíssima! Não lutamos apenas por salário. Lutamos por uma educação de qualidade, lutamos por justiça social, lutamos por uma sociedade melhor, lutamos pelo futuro de nossos alunos.

A luta continua!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Enfim, é Natal...e férias!

Caros colegas,

Felicíssimo Natal para todos! Desejo-lhes um Natal menos consumista, mas repleto de ótimos encontros com amigos e parentes. Boas comidinhas e inebriantes bebidinhas! É melhor rir do que deprimir.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sem título (4)

Não aguento mais ver papel na minha frente. A tal recuperação paralela é a fábrica primordial da cultura da impunidade que reina neste país. Aqui não se ensina ao povo a assumir a responsabilidade por seus próprios atos. Se isso fosse feito desde a mais tenra idade, na escola e na família, talvez em duas gerações haveria uma mudança significativa de mentalidade.

Os pais acham que só do filho ter acesso à escola que eles próprios não tiveram na infância e na adolescência já está de bom tamanho. Tive uma aluna que se formou no ano passado e  foi a primeira pessoa de toda sua família (incluindo tios, tias e primos) a completar o ensino médio. Os pais ainda não se preocupam, como deveriam, com a qualidade do ensino. Só de ter a escola já está muito bom.

Assim podemos dizer que 30% dos alunos não têm compromisso algum com os estudos. São "malandros". Frequentam a escola porque são obrigados. Eles praticam vandalismo, copiam os exercícios dos alunos mais inteligentes, matam aulas, ficam a zanzar pela escola, a importunar os outros que querem estudar, não produzem nada, conversam, desafiam os professores, enfim, agem como querem porque sabem que nada lhes acontecerá. Ao fim e ao cabo, receberão ainda muitas chances para "passar de ano". E não serão reprovados porque alguns professores preferem passar o aluno de ano a ter de lidar com ele no próximo ano letivo. São projetos de cidadãos que aprendem, desde cedo, a desperdiçar o dinheiro público. Aprendem a não ter respeito algum pela "coisa pública". Sim, porque escola pública custa dinheiro e dinheiro não dá em árvores. Não cai do céu.

E o governo brasileiro, paternalista como sempre, é incapaz de chamar os pais na responsabilidade. Se resolveu ter filhos, cuide deles, eduque-os, porque professor não está na sala de aula para ensinar o que é obrigação da família ensinar. Confrontar as classes mais populares não é interessante do ponto de vista eleitoral. a mentalidade que prevalece é "coitadinho do pobre". Coitados, sim. A vida deles é duríssima. a desigualdade social é algo a se combater neste país. Mas o pobre não é um coitadinho. É a mentalidade de toda sociedade que precisa mudar. Em relação a quase tudo.

 E a imprensa burguesa, elitizada, das principais revistas semanais do país, quando resolve publicar artigos sobre Educação, é sempre enfática em afirmar que a culpa da má qualidade é do professor "despreparado". A família nunca é responsabilizada, nem em parte. Afinal, "coitadinhos dos pobres"! A escola pública de hoje, com seu processo de progressão continuada é o berçário da cultura da impunidade que reina na sociedade brasileira. O Estado tem a obrigação de oferecer um sistema eficiente e humanista de planejamento familiar e também tem a obrigação de cobrar das famílias a responsabilidade básica de educar e cuidar de seus filhos.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Palavras-chaves: vingança; prato frio.

Eu não sei quanto a você, caro colega, mas eu vou guardar direitinho o folheto que o Sind-Ute MG publicou no jornal O Tempo, de hoje; e quando vierem as eleições eu garanto a você que nenhum aluno meu vai votar naqueles "f... (de) putados" que votaram contra o piso dos professores. Pode apostar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Tem que passar"...

Final de ano é um desespero. Uma desorganização total e absoluta. Os alunos que já passaram de ano em todas as matérias não podem ser mandados para casa, pois o Estado brasileiro entende que o aluno tem direito a assistir às aulas. Só que a essa altura, a última coisa que o aluno quer é assistir às aulas. Então, ele fica zanzando pelo colégio, endossando os decibéis altíssimos responsáveis por nossa surdez progressiva. Os outros, que não fizeram nada o ano inteiro, passam a perseguir os professores pela escola:

"Eu passei, professora? Eu passei? Eu passei?"

O que o governo não quer é que o aluno pobre da escola pública vá para a porta das lojas e dos shoppings e fique com caixinhas de sapato na mão, pedindo trocados para o Natal. Criança pobre na rua não pode. Tem que ficar dentro da escola, mesmo quando já passou de ano.

No meu tempo de menina, entrávamos em férias no dia 1º de dezembro. Os colegas em recuperação  frequentavam mais duas semanas de aulas. Era um castigo. Nós estudávamos muito para não pegar recuperação. Tínhamos mais férias e o ensino era melhor.

Quando o governo vai aprender que quantidade não significa qualidade? Talvez nunca, pois já estão abrindo para consulta pública a proposta de cinco horas de aulas por dia.

Por enquanto, o inferno de Dante continua até o dia 16 de dezembro. Espero não enlouquecer até lá. Sou obrigada pelas circunstâncias a continuar compactuando com a farsa dos índices da Educação que o governo apresenta na televisão. Na realidade, se fosse seguir critérios puramente didático-pedagógicos, reprovaria 40% dos meus alunos. Mas, "tem que passar", "tem que passar", "tem que passar"... O governo precisa apresentar índices educacionais positivos para conseguir seus empréstimos e financiamentos internacionais. Para ficar bem na foto.

É tudo uma grande farsa! Sinto nojo. A Educação brasileira é "só pra inglês ver".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Palavrinhas e palavrões (2)


Você, caro colega, deve estar farto de ouvir palavrões na sala de aula. É bom dizer que palavrões não são um  patrimônio cultural exclusivo das classes menos favorecidas. A sociedade brasileira adora um palavrão. Os políticos são os primeiros a dar exemplo: "porra", "caralho" e "filho da puta" fazem parte de seus discursos privados que frequentemente vazam no Youtube. Em inúmeras mesas dos bares da vida, já ouvi muitos palavrões da boca de advogados, médicos, economistas e até de professores. Eu também falo, mas confesso sentir um pouco de preguiça, pois acho a língua portuguesa muito rica e engraçada. Algumas palavras são ótimas, principalmente para espinafrar os políticos.

Na sala de aula, geralmente, escutamos muitos, muitos palavrões. Não bastasse o salário miserável, você é obrigado a ouvir palavras de baixo calão diariamente. Isso cansa a cabeça. Provoca depressão.

Pois muito bem. Um dia tive um insight, mas alguns vão dizer por aí que pirei.

Estava eu a dar uma aula, quando ouvi da boca de um aluno:

"Ô, 'bu...' !"

Imediatamente, falei:

"Ô, menino! Sabia que pra nascer você passou por uma 'bu...' ?"

A sala inteira caiu na gargalhada e começou a zoar o garoto. Com os olhos fora de órbita, ele respondeu:

"Que é isso, professora?"

 Expliquei:

"A da sua mãe".

 E para amenizar a situação em que o coloquei, emendei:

"Todo mundo aqui nesta sala passou por uma 'bu'... pra nascer. Inclusive eu."

Os alunos pararam de zoar e começaram a me olhar, meio rindo, meio cochichando, meio tentando entender o que eu estava tentando dizer. Até que uma espertinha disse:

"Eu, não. Minha mãe foi operada".

Não dei moleza:

"Mas pra entrar, entrou pela 'bu...'. Todos nós estamos aqui por causa das nossas mães. É a mulher que tem o dom de gerar uma nova vida no interior do corpo. E quando vocês se referem a essa parte do corpo da mulher com tanto desprezo, vocês deveriam pensar mais nisso: é uma parte importante do corpo da mulher, responsável pela geração de novas vidas".

Eles escutaram, pararam de zoar e até tive a impressão de que eles realmente compreenderam. Para finalizar a questão com chave de ouro uma garota disse:

"É, professora, mas não é assim que fala, né? Não é 'bu...'. O nome certo é 'vargínia', não é , professora?"

A partir desse momento nem me lembro mais o que respondi. Acho que a corrigi discretamente. No fundo, fiquei assustada com a minha coragem. Afinal, mães são sagradas. Imagine, falar da 'bu...' da mãe do aluno! Tudo poderia ter dado errado. Mas, graças à Santa Ana, deu certo. Nunca mais eles disseram esse palavrão. Pelo menos, não na minha aula. E a história correu a escola. E posso lhe afirmar que depois disso, 'bu...' se tornou um palavrão muito mais raro no ambiente escolar. Pra falar a verdade, nem o escuto mais.




sábado, 3 de dezembro de 2011

Últimos cem metros

Você sabe, caro colega, o que me dá mais cansaço e desespero? Não é o aluno que precisa de 35 pontos em 25. Desse aí  eu já desisti. Se ele conseguir passar de ano nos últimos minutos do segundo tempo, ótimo. O que me dá mais raiva é o aluno que precisa somente de 15 ou 16 pontos em 25 e... some. Ele pára de frequentar as aulas. Quando vai, não realiza os exercícios e caminha a passos largos pra uma reprovação que não precisava acontecer.

Dei todas as chances, ao longo do ano, para ele precisar somente de 15 em 25 para passar. Recuperação paralela. Ou progressão continuada. Mil chances...e aí, quando chega dezembro, o aluno empaca, não faz mais  nada, não escreve, não consegue processar o que aprendeu, não consegue organizar um pensamento em forma de palavras em uma folha de papel, não consegue interpretar um texto simples.

"Vovô viu a uva".
Questão: "Quem viu a uva?"
Resposta: "a ulva".

E há a preguiça, claro. Tenho alunos tão preguiçosos, tão preguiçosos que eu diria que são deprimidos. Casos excelentes para psicólogos e psicopedagogos. Autoestima péssima. Não acreditam na própria inteligência. Não dou conta de lidar com isso. Não sou especialista. Faço o que posso. Incentivo, elogio, explico mil vezes, mas minhas ações não surtem efeito.Não sou uma ótima professora. Sou apenas uma professora. Não tenho varinha de condão pra resolver os problemas familiares dos alunos.

O governo e alguns economistas e teóricos da Educação acham que tudo se resume à "competência" do professor. É como se ele pudesse tudo, como se tivesse o dom de transformar corações e mentes. Transformados pela escola, os alunos seriam capazes de transformar suas famílias e consequentemente seu meio social. Não deixa de ser uma utopia.

A verdade é que a escola não é boa porque a sociedade também não é. Escola e sociedade se espelham.

Como eu disse, sou apenas uma professora. Não sou Deus. Eu não sou Jesus.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre algo que não existe no Reino da Província

Não existe democracia neste país. A democracia brasileira é uma fachada que os políticos pintam da cor que é mais conveniente para eles.

No Reino da Província, temos um "déspota esclarecido" que se acha a própria reencarnação do Marquês de Pombal. A questão é:  o nosso "príncipe" age como se ainda vivesse no Antigo Regime, quando o povo só tinha direito a ser povo.

O PSDB é isso: a elite letrada. A última coisa que o PSDB quer é diminuir a distância entre ricos e pobres. As classes populares precisam permanecer na ignorância, precisam continuar submissas, prestando serviços à elite.

Universaliza-se a Educação que, apesar dos anos e dos investimentos, continua de péssima qualidade, evoluindo a passos lentíssimos. Os pobres precisam aprender apenas a ler, a escrever e a executar as quatro operações básicas. Na visão do "príncipe", os pobres não têm direito a uma educação humanista, a uma educação cultural, ampla, formadora da pessoa humana. Cidadania? Só no papel. Na urna, jamais!

Afinal, o que a elite fará se ninguém mais quiser ser empregada doméstica? O que a elite fará se ninguém mais quiser trabalhar pelos salários miseráveis que ela está acostumada a pagar? O que a elite fará se o povo aprender a votar?

A luta não terminou. Ela está só começando. E se o professor pretende ganhar essa guerra tem que ler mais, tem que abdicar das informações da "rádio corredor" e buscar fontes mais confiáveis para formar um pensamento político coeso, consciente dos seus direitos e deveres, para quando se estabelecer um campo de batalha (e existem muitos campos de batalha, não apenas a greve) ser capaz de estraçalhar o governo.

Temos de aprender a jogar xadrez. A guerra política é como uma partida de xadrez. Não basta agir. É preciso adivinhar as reações e os próximos passos do adversário. Foi isso que o governo fez conosco. Deu a corda para que nos enrolássemos nela: uma greve extremamente longa. Foi esperto. Mas nós podemos ser mais espertos. Temos que abdicar da nossa própria ignorância política e nos unirmos mais, conhecer as leis, discuti-las com nossos colegas, exercer bem as nossas funções e, sobretudo, não aceitar as sandices pedagógicas e burocráticas da SEE. Enfim, temos que nos fortalecer. A guerra será longa e está só começando.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dos tempos do onça...

Vai chegando o fim do ano... Vai me dando um desespero...Só de pensar em ter de completar aqueles diários ridículos, completamente ultrapassados, dos tempos do Estado Novo...É de lascar! Somar faltas e notas na ponta do lápis e da calculadora...Sinto tanta preguiça, tanta preguiça...quase uma depressão.

Não consigo entender por que até hoje esse governo que se auto intitula "competente", "eficiente" e todos os demais adjetivos tecnocratas da "excelência" de qualidade, ainda não disponibilizou diários eletrônicos para os professores da rede estadual ?

Depois dizem por aí que o professor é "despreparado"! Quer saber? O governo e a SEE que vão catar coquinhos!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dias felizes

Há dias em que tudo corre macio.Enquanto os alunos realizam as atividades, eu organizo meu material, faço a chamada e passo de carteira em carteira esclarecendo as dúvidas. Ninguém grita, ninguém briga, ninguém agita. Ficam a trabalhar suas mentezinhas ansiosas em grupo e em paz.

Por que não é sempre assim?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sobre as mentiras do governo

Este governo é tão mentiroso, mas tão mentiroso e descarado que pagou um anúncio no jornal para acusar o sindicato de mentiroso.

Foi publicado no jornal "O Tempo" (13 de novembro de 2011, página 7) que:

"O governo (...) não descontou os dias parados de setembro, conforme negociação aprovada com o Sind-Ute".

Pois em verdade eu vos digo que no meu contracheque de outubro vieram descontadas faltas-greve referentes a setembro (está escrito S-E-T-E-M-B-R-O com todas as letras) no valor de R$ 110,00.

Governozinho mentiroso, mentiroso, mentiroso!

domingo, 13 de novembro de 2011

A luta continua! Chega de submissão!

Outro dia vieram com a proposta de aplicar provas de recuperação para os alunos. Para todos os alunos! Uma prova e um trabalho no valor de 100 pontos.

Dei um piti. Tenho 200 alunos. Trabalhei o ano inteiro corrigindo milhares de atividades para cumprir o programa de recuperação paralela. E agora vieram com a brilhante idéia de distribuir 100 pontos para todos os alunos, inclusive para os que já passaram de ano.

"Para melhorar a nota deles", disseram. Prazo para a tarefa de corrigir 400 atividades? Seis horários ou 5 horas. E os professores que têm 400 alunos?

Tive um xilique. "Não corrijo, não corrijo e não corrijo. Aqueles que já passaram de ano, passaram. Se passaram com 60% ou 70%, paciência. Fiz a minha parte. Só vou corrigir os trabalhos dos alunos que não passaram ainda". Bati o pé e venci. Não aceito mais delírios pseudo-pedagógicos. E acho que todos os professores deveriam fazer o mesmo. Chega de aceitar orientações sobre as quais não fomos sequer consultados.

Chega de submissão! Professor é o último a ser consultado sobre as soluções para tirar a Educação do buraco. Eu sei exatamente o que fazer (e acredito que meus caros colegas também) para resolver vários problemas da escola. Somos nós que estamos na linha de frente, mas nunca somos consultados.

Tudo vem de cima pra baixo. E professores que têm a autoestima no pé aceitam tudo e morrem de medo de não sei o quê. Eles morrem de medo das ameaças ridículas cujas origens são obscuras pois ninguém se guia pelas leis, mas pelo disse que disse.

Confesso a você, caro colega, estou cada vez mais refratária às ordenanças da SEE e seus projetos pedagógicos inóquos que não resolvem nada e só fazem aumentar a carga burocrática que sempre recai em cima dos funcionários da escola. Pra mim chega!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O que nos resta?

Voltei arrasada da assembléia dos professores que aconteceu hoje na Praça da Assembléia Legislativa do Reino da Província. Pouquíssima gente. Ainda mais se contarmos que parte dos presentes era da polícia civil e dos servidores da Saúde. Os professores estão cansados de nadar, nadar e morrer na praia. O movimento esvaziou.

O governo foi muito esperto: deu linha e aguardou o cansaço do peixe. O peixe agora está nadando dentro do seu aquário,  sob seu controle. Até a estratégia de negociação lenta, após a suspensão da greve, fazia parte do plano de esfriar os ânimos do magistério.

O que nos resta? Pra mim a única saída,  a principal trincheira de resistência está dentro da escola. Que tal se todos nós passássemos a trabalhar apenas as 24 horas pelas quais recebemos esse ridículo salário? Nada de passar os fins de semana corrigindo provas ou fechando diários ou preparando aulas. Chega! As taletas não estão prontas? "Sinto muito, eu trabalho 24 horas por semana. Nem um minuto a mais. Não terminei de fechar o segundo bimestre ainda".

Que tal se nós também parássemos de auxiliar o governo na maquiagem dos índices escolares estaduais? Pelo amor de Deus, nada de descontar nos alunos a nossa indignação. Não se trata disso. Trata-se simplesmente de parar de mentir. Que tal se os professores se comprometessem com um sistema de avaliação justo, bem feito e real? Ah, o índice de reprovação geral foi de 40%? "Sinto muito. Mas temos todos os dossiês de todos os alunos que não adquiriram as competências e habilidades esperadas para o nível/série em que estão". É só parar de compactuar com as diretoras, inspetoras, superintendentes e mostrar a verdade. O governo, se quiser, que passe os alunos por decreto. Vamos atolar a secretaria com milhões de dossiês de alunos semi-analfabetos.

A meu ver, esse é o caminho que nos resta: conquistar uma autonomia pedagógica impermeável às orientações governamentais. E que os professores sejam os principais agentes  dessa resistência.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Joãozinho em tempos modernos (2)

D. Margarida é uma professora muito preocupada com a realidade do aluno. Para incentivar os estudantes a pensar mais no futuro como consequência da vida escolar, engatou uma enquete sobre os desejos profissionalizantes dos seus pupilos.

- Eu quero ser médica,- respondeu uma aluna com sérios problemas de leitura e escrita.

- Eu quero ser advogado, - respondeu outro quase analfabeto.

D. Margarida tem conhecimento de que pessoas ilustres do nosso país só conseguiram se alfabetizar durante a adolescência. Por isso, incentivava a todos:

- Muito bem, muito bem! Medicina e advocacia são profissões muito importantes E é preciso estudar muito para ser um bom médico, um bom advogado.

Após percorrer quase toda a classe, perguntou:

- E você, Joãozinho, qual profissão gostaria de ter?

- Eu quero ter meu próprio negócio, professora. - respondeu Joaozinho com o olhar distante.

- Ah é, meu filho? Que coisa boa! Quer dizer que você quer ser seu próprio patrão?

- É.

- E que tipo de negócio você gostaria de ter?

-Eu quero ser dono da minha própria "boca".

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sobre um patrimônio que não podemos perder...

Temos algo que não podemos perder de jeito nenhum: as nossas pequenas férias de outubro. Dez dias sagrados de folga absoluta e incondicional.

Se tenho trabalhos pra corrigir e notas e taletas e diários pra fechar, nem trisco, nem pisco e não arredo o corpo da rede, da cama, do bar, do parque, enfim, de onde estiver, para trabalhar para esse governozinho tacanho, incapaz de nos fornecer planilhas informatizadas para realizarmos nosso trabalho com mais rapidez e eficiência. Aliás, "eficiência" é uma das palavras prediletas do nosso governador. Então é melhor ele dar o exemplo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O "oficiosso" nosso de cada dia

Hoje, na hora do recreio, a professora de português caiu em prantos porque não suporta mais a turma do 8C.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sem título (3)

D. Margarida sofre de idealismo crônico e um pouco de burrice pois até hoje, depois de 10 anos de magistério, ainda não aprendeu a lição. Ela pensou que fosse chegar na escola,  hoje, e encontrar todos os trabalhos da Mostra Cultural expostos e enfeitando as paredes cinza-sem-graça.

Pois bem. Ela Encontrou as paredes nuas,como sempre, e todos os trabalhos amassados e amontoados na sala dos professores. Alguém pode, por favor, explicar para d. Margarida esse caso de descaso total?

Resposta absurda: as faxineiras tinham que limpar a escola e por isso retiraram os cartazes.

Pensei comigo: "os cartazes ficam colados nas paredes. O que isso tem a ver com limpar o chão?" Pensei, mas não disse nada. Estou em processo de invisibilidade e quanto menos polêmica provocar, melhor pra mim.

Tenho ou não tenho razão de ficar possessa da vida? As especialistas e vice-diretoras mandam parar a escola para fazermos um monte de cartazes para a Mostra Cultural. Nós, professores, nos dobramos e desdobramos para executar a tarefa e produzir alguma coisa minimamente inteligente. E depois de um sábado letivo com pouquíssimos alunos presentes, recolhem-se todos os trabalhos? Por que não deixar os trabalhos enfeitando a escola para cumprir a função deles que é apresentar informações? Não dá para entender.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Diário de greve (10)

Muitas vezes sinto uma culpa terrível por não estar fazendo greve. Penso nos caros colegas que estão segurando essa peteca sozinhos, sem salário, sob ameaças, enquanto eu, tranquilinha na sala de aula, não tenho preocupações com o calendário de reposição, nem com o cheque especial.

Sinto culpa. E muitos colegas da minha escola também se sentem mal em relação a isso. Mas a decisão de não entrar em greve foi uma decisão coletiva, votada. Já tentei participar da greve individualmente. Não funcionou.

Peço desculpas aos caros colegas grevistas, corajosos, que não têm medo da luta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Hora do recreio (2)

Não há nada no mundo da escola que me irrita mais do que a imposição de um projeto pedagógico improvisado com prazo "para ontem" e sobre o qual os professores não foram sequer consultados.

Há apenas duas semanas, fomos informados em pleno recreio que o tema da Feira de Cultura  é a "saúde". E que os subtemas foram pré-determinados e sorteados, assim como as duplas de professores e as turmas com as quais cada dupla iria trabalhar.

Francamente. Morro de preguiça! Tenho que parar tudo pra atender às "ordens" das  especialistas.

O subtema que coube a mim e à professora de português foi "doenças da coluna vertebral".

Como d. Margarida é doida e gosta de complicar as coisas,  ela resolveu se rebelar e fazer um grande mural metafórico sobre "As Doenças do Brasil", com textos de criação coletiva  ilustrados com notícias de jornais e revistas.

As doenças do Brasil apontadas pelos alunos foram a desigualdade social, a violência, a corrupção e a agressão ao meio ambiente. Identificamos os sintomas e os alunos, agora, estão construindo textos para apontar atitudes de prevenção.

Vai dar trabalho, mas espero que fique bom. O que me anima é que todos estão colaborando e participando. Só por isso já vale o esforço.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sem título (2)

Pedi aos alunos dos nonos anos que fizessem uma pesquisa sobre o socialismo e o comunismo.

T., 15 anos, escreveu (ipsis litteris):

"O que é comunismo?
O Comunismo é uma Escravidão, é a noite da tortura de uma Nação. É o Sistema de negação é o próprio Negativismo. Exemplo atual de Senzala Comunista: Cuba. fidel castro ditador Sanguinário, ídolo dos pervertidos, degenerados e terrorista.

O comunismo ou sua antesala, o Socialismo de todos os matizes nega a existência de Deus. Ou Seja. e o regime do ateísmo oficializado e permanente embora para fins diplomáticos aparente tolerância religiosa Mentira deslavada. o exemplo emtre muintos é a perseguição movida pela China Comunista contra os monges tibetanos. sua religião é o líder espritual o Dalai lama."


O texto não pára por aí. Tem mais. Cada pérola de assustar até fantasma. Mas poupo o leitor do resto desse discurso fundamentalista. Não sei o que fazer, nem que nota lhe dar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Diário de greve (9)

Acho ótimo manter a greve por mais alguns dias só pra quebrar o recorde de movimento mais longo da história do magistério mineiro.No entanto, fico pensando e matutando... será que vale a pena manter a greve por mais um mês? E se a Assembléia Legislativa aprovar o projeto do governador, o que faremos? Será que vale a pena manter a greve? Será que vale a pena aceitar a proposta esdrúxula do governo, por enquanto, e por fim à greve?

Vejamos. Há um ano, ganhávamos um salário mínimo e meio. Fizemos uma greve. Passamos a ganhar dois salários. Com a nova tabela do subsídio pode ser que cheguemos a três salários, no próximo ano. Querendo ou não, os R$ 712,00 de vencimento, prometidos pelo governo, devem significar algum aumento para quem tem biênios e quinquênios e ganha apenas R$ 369,00 como básico.

Eu só sei que com ou sem carreira, com ou sem subsídio, quero ganhar R$ 3.500,00 líquidos por um cargo de 24 horas! Ou seja, quero ganhar sete salários mínimos, no mínimo. Esse é o valor que merecemos.

O sindicato precisa ter mais visões a médio e a longo prazo. Por fim à greve agora não significa derrota. Significa que ganhamos mais um (pequeno) aumento, mais uma batalha. Outras batalhas virão e temos que nos preparar. Ninguém aguenta fazer greve todo ano.

Estou cética. Não acredito que esse governo sem vergonha vá ceder. Teremos que buscar nossos direitos na justiça. Em ações que demorarão longos anos...

Independentemente do resultado da greve de 2011, a luta continua.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

D. Margarida, a cidadã

O tema da hora é a corrupção. Pois bem. Estou a ensinar aos alunos dos oitavos anos o que é corrupção.
Eles estão atentíssimos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um dia como outro qualquer

Estava a dar vistos nos cadernos dos alunos do 9A quando um cheiro característico invadiu minhas amplas narinas. Achei que fosse...e era. Pedi a uma aluna que zelasse por meus objetos e saí da sala para dar o flagrante. Dei a volta no prédio, atrás das salas, da quadra. Não vi ninguém.

No intervalo, procurei a especialista: "Alguém estava...". Ela respondeu: "Já foi resolvido". Não deu muito papo. Assunto de drogas é sempre abafado. Não pode vazar. Já pensou se todos começam a comentar que naquela escola fuma-se maconha todos os dias?

E fumam mesmo. Entram na classe com a cabeça feita. Reconheço seus olhos baixos, avermelhados, os risinhos retardados, a cara de quem está em outro mundo.Todos os dias.

Mais tarde, no final do turno, a vice-diretora me mostrou a prova do "crime": a "ponta do baseado" plastificada e anexada ao relatório. E revelou que eram alunos do PAV "pavoroso".

Se eu fosse professora do PAVoroso, não pensaria duas vezes. Passaria o filme "Cenas de uma guerra particular" do João Moreira Sales para os drogaditos, e exigiria um texto individual sobre o filme com, no mínimo, trinta linhas, valendo 10 pontos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

D. Margarida, a subversiva

Eu não sei quanto a você, caro colega, mas faço questão de explicar bem explicadinho aos meus alunos o que é capitalismo, o que é luta de classes, o que é mais-valia, o que é lucro, o que é servidão, o que é escravidão, o que é trabalho assalariado, o que é greve, o que é socialismo, o que é comunismo, o que é revolução, o que é ...

Sigo a cartilha das utopias direitinho e digo a eles com todas as letras:

"Se não existissem os ricos que querem ficar cada vez mais ricos, não exisitiriam os pobres. Uns têm menos porque outros têm demais. A pobreza não é um desígnio divino. A pobreza é uma invenção dos homens e pelas mãos dos homens é perpetuada através dos séculos".

E digo a eles o "verdadeiro" valor da escola pública, gratuita e de péssima qualidade:

"Vocês têm que aprender a ler e a escrever para que possam saber ler um contrato de trabalho, ou de compra e venda; para que os ricos não passem vocês pra trás; para que os patrões não os enganem sobre seus direitos trabalhistas; para que vocês possam ter instrumentos para requerer do poder público o cumprimento das suas responsabilidades; e, principalmente, para aprender a votar  nas pessoas certas e eliminar de uma vez por toda essa canalha que está aí, roubando impunemente o dinheiro do povo."

Não sou comunista, mas sou professora e, portanto, pobre. Na classificação de mercado, baseada nos rendimentos salariais, pertenço à classe E. Dois salários mínimos. Economicamente pertenço ao povão. A uma parcela semi-intelectualizada do povo que seja, mas que ao fim e ao cabo, não deixa de ser o povão que provoca alergia preconceituosa nas elites.

Sigo o CBC porque sou obrigada, mas carrego na tinta quando o assunto é expor os interesses das elites sobre os anseios trabalhistas ao longo da História. E alguém pergunta: "E os alunos, eles prestam atenção no seu discurso?" E eu digo: "Vejo seus olhos brilharem. Aquele tipo de brilho que anuncia o entendimento de alguma coisa. Quando o assunto é a injustiça social, eles não só prestam muita atenção, como também participam, perguntam, questionam. Dá tudo certo."

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O sonho de D. Margarida

"Eu tenho um sonho". No meu sonho, dezenas de milhares de professores se unem  numa grande manifestação pública pela valorização dos profissionais do magistério e por uma educação pública de qualidade.A manifestação é uma grande passeata. Uma passeata de milhares de pessoas. Uma passeata como há muito tempo não se vê nas ruas das cidades brasileiras. Uma passeata gigante que nos faz lembrar dos tempos entusiasmados da campanha pelas Diretas-Já.No meu sonho, pais e alunos também se juntam aos professores e, pouco a pouco, artistas, intelectuais, jornalistas e trabalhadores também participam.

Essa passeata caminha em direção a um grande palco. A passeata vira um grande show, uma grande festa. Várias pessoas discursam e defendem a valorização do professor como pedra fundamental para conquistarmos uma educação de qualidade. Intelecutais e especialistas explicam para a multidão quais são os verdadeiros motivos que levam o governo a não ter interesse em investir o que é necessário na educação. Artistas enfeitam e animam a festa.No meu sonho, o governo é profundamente humilhado por essa demonstração de cidadania consciente e poderosa.

Mas, não sei se o governo acata ou não as reivindicações dos professores...não sei se a greve acaba...só sei que essa manifestação fica na memória das pessoas. E que também fica o sentimento de termos feito a nossa parte; de termos lutado pelo que é justo; de termos usado as nossas principais armas que são a liberdade de expressão e de manifestação. Também fica a lição de que, cada vez mais, temos de aprender a votar nas pessoas que defendem verdadeiramente os interesses da maioria da população e não os interesses dos ricos.

Viva Martin Luther King que nos ensinou que temos o direito a ter sonhos e que não devemos nos envergonhar deles!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Diário de greve (8)

Últimas notícias da Rádio Corredor, a preferida dos servidores públicos:

O pessoal do governo está histérico com a repercussão da greve. Um amigo presenciou cenas de puro nervosismo e genuína ansiedade entre servidores importantes da SEE - MG.

A última medida desesperada do governo foi determinar que os diretores das escolas comecem a montar processos de inassiduidade. O professor que não voltar para a sala de aula será considerado faltoso. Com 30 faltas, poderá ser exonerado ou responder processo administrativo. Do ponto de vista jurídico, anuncia-se uma guerra sem data pra terminar.

D. Secretária de Educação diz e repete para os diretores a todo momento que "a carreira antiga está em extinção" e que "o governo não vai mais investir no regime de remuneração".

Do lado de cá, foi um vexame a cena de alguns caros colegas que durante uma manifestação apresentaram-se diante de uma câmera de tv empunhando latinhas de cerveja e garrafas de cachaça. Questionados pelo repórter, disseram que bebem sim, que o reporter não tem nada com isso, que a bebida foi comprada com o dinheiro deles e que se eles tivessem o piso salarial beberiam uísque.

Sem comentários.

domingo, 28 de agosto de 2011

Diário de greve (7)

Eu não disse? Eu não disse? O governo vai ter que pagar o piso salarial proporcional aos R$ 1.187,00. A Mulher Grana já disse no jornal que se o Supremo decidir, o governo vai cumprir. Então tá, viu? Só acredito vendo.

Depois de ver uma declaração da d. Secretária de Educação em que ela afirma com todas as letras que "o regime antigo está em extinção", fichas caíram dentro da minha cabeça e entendi porque esse governozinho ordinário não resolve a questão de uma vez.

É muito simples. O que o governador do "reino da província" não quer perder  sua autonomia em relação à folha de pagamentos do estado. Com o piso, o governo do estado ficará subordinado ao poder federal. Qualquer aumento que o piso tiver (e dizem por aí que o próximo aumento será de 20%) o governador do "reino da província" terá que pagar sem discutir.
Perdeu, sr. governador! Perdeu, Mulher Grana! Perdeu, d. Secretária de Educação! Se vocês tivessem realmente traçado um novo plano de carreira mais vantajoso, se não tivessem ignorado o tempo de serviço dos professores que já estão nessa estrada há mais de vinte anos, se tivessem tentado dialogar honestamente em nome do bem público, se...

Como professora vou ensinar ao governo uma lição. Preste atenção e copie um milhão de vezes no caderno: NÃO EXISTE EDUCAÇÃO DE QUALIDADE SEM A VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR! Todos os especialistas internacionais afirmam que a melhoria da educação brasileira passa pela valorização do professor através da valorização salarial. Mas os governantes dos estados brasileiros preferem ouvir intelectuais de pouca visão, defensores da tese  de que o aumento de salário não garante a melhoria da qualidade da educação.

Essa novela ainda não acabou! Muitos capítulos ainda vão rolar. Talvez eu esteja cantando vitória antes do tempo, mas é como uma tentação: perdeu, perdeu, perdeu!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Diário de greve (6)

A pirraça do governo é absolutamente revoltante. Não existe outro termo para definir a recusa em negociar. Pirraça!

O que se há de fazer se existem governantes que preferem ser lembrados por terem asfaltado alguns kilômetros de estradas de terra, e não como um líder que ofereceu ao seu povo uma educação de qualidade?

O governo é incompetente para resolver o problema da educação. Ele é incapaz de traçar um plano a médio ou a longo prazo para valorizar os profissionais da educação e consequentemente melhorar o nível do ensino.A sociedade está "anastasiada" e a falta de consciência política faz com que a classe média alta não se dê conta de que tem o direito de ter seus filhos estudando em escolas públicas de qualidade.

O PSDB é assim, a elite bem educada, culta, formada nas melhores universidades. Mas somente eles podem ser assim. O resto da população deve se contentar em ser porteiro, empregada doméstica, pedreiro, motorista, lixeiro, etc.Afinal, se a população em geral tiver acesso a uma educação de qualidade, quem vai tolerar ser humilhado e explorado pelas elites? A quem interessa uma população culta e politicamente consciente?

Nossa luta não é apenas por salário. Nossa luta é por cidadania de verdade e igualdade social.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quando D. Margarida pira

Fim de bimestre. Dezenas de notas pra fechar. Centenas de exercícios pra corrigir. Diários pré-históricos pra preencher. E ainda por cima a tal recuperação paralela que nos obriga a dar chances e mais chances aos alunos preguiçosos.

S. , 15 anos, é uma dessas alunas indolentes. Falta muito e copia todos os trabalhos e exercícios de outras colegas. Eu a chamo secretamente de Barbie Negra. É uma garota bonita, alta e esguia, mas também muito burrinha pois faz questão de desperdiçar a própria inteligência.

Em um belo e tumultuado dia, fiz a distribuição dos trabalhos de recuperação paralela. Pois a menina pegou a apostila, dirigiu-se a mim e teve a indecência de perguntar:

"É pra fazer, professora?"

"Não. É pra você colar essa atividade na parede ao lado da sua cama e ficar admirando a nova decoração", respondi, sem o menor pudor.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Diário de greve (5)

Minha escola não está em greve, infelizmente, mas estou achando o máximo essa greve. É a greve mais corajosa que já vi. O mais legal que é que o governo está começando a ficar desesperado. Isso é ótimo!

O final dessa luta acho que posso adivinhar: o governo vai ceder e dizer que vai pagar o piso de R$ 712,00 para 24 horas e ensino superior. Ele vai fundir alguns penduricalhos (VTI e PCRM) ao vencimento básico e garantir o aumento salarial em cima do efeito cascata das vantagens principais: biênios, quinquênios, pó de giz e pós-graduação.

Para a maioria dos professores os aumentos serão de mais de 130% sobre os R$ 712,00. Mas, e para quem não tem nenhuma vantagem? Esses voltarão a ganhar o piso, o pó de giz, o auxílio transporte e nada mais? Terão que esperar mais greves, ou seja, mais alguns anos para ter um salário de verdade?

Tic, tac, tic, tac....o tempo de voltar para o regime remuneratório acaba de acabar.

Torço para que o governo se engasgue com o subsídio e aprenda a valorizar o professor, respeitando o seu direito a uma carreira profissional digna.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quem sou eu?

Ao longo da minha "carreira" (se é que existe uma carreira do magistério em MG) sempre  procurei ser paciente com os alunos. Afinal, são apenas crianças. Os adolescentes são criançonas também. Minha experiência de vida sempre me deu jogo de cintura para neutralizar as provocações, mas este ano estou sem paciência.

Nem bem começou o semestre e já me sinto exausta!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Volta às aulas!

Você, caro colega, está cheio de gás e de muitas novidades para apresentar aos seus alunos queridos? Está repleto de "furor pedagógico" e acredita que desta vez encontrará a fórmula mágica que transformará a educação em algo prazeroso para você e seus pupilos? Acredita que neste semestre conseguirá fazer com que eles aprendam todo o conteúdo da disciplina?

Pois eu não. Estou velha demais pra ter ilusões a respeito da educação. Se conseguir que eles aprendam a ler e a escrever um pouco melhor e a ter um pouquinho mais de senso crítico, já me darei por satisfeita. Concordo com Diderot: a educação pode muito, mas não pode tudo. E "muito", no meu caso, é apenas um "pouco".

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Edição extraordinária: o drama do subsídio x carreira

O prazo para optar entre o subsídio e a carreira antiga está se esgotando. Até o dia 10 de agosto tenho que decidir. Já fiz as contas mas, como sou carne nova no magistério, só tenho direito aos biênios e ao pó de giz. Perdi meu direito aos quinquênios porque, em 2005, após minha licença maternidade, não renovei meu contrato como designada com o estado. Fiquei estudando para o concurso e passei. Sou efetiva desde 2006.

Pelas minhas contas, o subsídio é mais vantagem, pois meu salário aumentou R$ 300,00. Se retornar para a carreira antiga, e mesmo que esse governo me pague o piso proporcional que é de R$ 712,00, somado ao pó de giz (20%) e aos biênios (04), ainda assim o meu salário será trezentos reais menor que o subsídio. E o aumento de 10% anunciado por esse governo imprestável não irá fazer nem cócegas na soma final.

O que mais me espanta nessa história é que o sindicato, com todo respeito, fica anunciando por aí que o piso nacional é de R$1.597,00 para ensino médio e jornada de 40 horas. Baseado em quê? Em uma lei tal que esse governo mesquinho nunca levou em conta, mesmo durante a vigência da carreira antiga? O sindicato está colocando o carro na frente dos bois!

Esse governo mentiroso vai ter que pagar o piso e ele vai pagar, isso é certo. Mas o que ele vai fazer é retirar o valor proporcional do piso da VTI e da PCRM que compõem o salário. Não dá pra ficar iludida. Na hora de fazer as contas, tenho que descartar a VTI e a PCRM porque elas serão incorporadas ao vencimento básico para atingir o valor proporcional do piso. As vantagens que incidirão sobre o vencimento básico serão apenas os biênios, os quinquênios, o pó de giz e pós-graduação.

Talvez eu retorne para a carreira antiga para requerer mais um biênio e para tentar reaver meu direito ao quinquênio na Justiça. Mas do ponto de vista financeiro, para quem tem até oito anos de magistério, a carreira antiga não é vantagem. Pode ser para quem já passa dos quinze anos e que tem direito a biênios , quinquênios, pós-graduações e outras vantagens. Para esses, sim, a carreira antiga é mais vantajosa.

 Ao fim e ao cabo, tudo se resume em contar migalhas! Esse piso também não resolve a situação. Temos que sonhar mais alto: R$ 3.500,00 líquidos por um cargo de 24 horas!! Ou de 30 horas, que seja!

domingo, 17 de julho de 2011

Enfim, férias!

Este blog também entra em férias.

Desejo a todos os professores estaduais que não tiveram a coragem de fazer greve, boas férias. E para aqueles que fizeram greve, mas não participaram das mobilizações de protesto, desejo que continuem descansando. Vocês vão precisar de energia para repor as aulas depois.

Quanto a mim, tenho dois trabalhos acadêmicos para entregar e ainda não fechei diários e notas. Minhas férias serão de puro trabalho.

Boas férias, caros colegas!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diário de greve (4)

Fiquei doente. Consegui me arrastar até o posto de saúde mais próximo. A médica, quando disse qual era minha profissão, fez jogo duro e deu-me uma licença de apenas um dia.

"Você deve manter suas atividades normais. O repouso é pior. Pode trazer complicações de sinusite ou pneumonia. Sua virose é contagiosa e você deve evitar falar perto de alguém".

Fiquei estupefata. Eu mal conseguia me manter de pé. O corpo todo doía. O nariz entupido, a voz rouca, a cabeça pesada, uma tosse que vinha da alma com catarro e tudo.

Será que essa mulher sabe o que é dar aula para cinco turmas de 35 adolescentes inquietos e barulhentos? Será que essa médica sabe que a arquitetura da escola é um primor do estilo escola-prisão, com janelas emperradas, vasculantes estreitos com grades por dentro e por fora, com pouquíssima ventilação? E o pó de giz? Será que ela sabe o que é pó de giz? Não, ela não conhece as nossas reais condições de trabalho. Ela só sabe que professores são os campeões nacionais da licença-médica.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Diário de greve (3)

Fui obrigada a voltar ao trabalho, mas concebi uma outra forma de luta. O governo me paga um salário miserável para trabalhar 24 horas por semana, não é mesmo? Então é isso, daqui pra frente só irei trabalhar 24 horas por semana. Atrasei a entrega das notas? Atrasei a entrega dos diários? Atrasei a entrega das taletas? Não deu tempo. Por que? Porque 24 horas por semana é pouco para dar conta de duzentas ou trezentas cabecinhas. Sinto muito. A partir de agora eu só trabalho 24 horas por semana, nem um minuto a mais.

Pense bem, caro colega. Não seria melhor ter apenas um cargo de 30 horas, pelo qual você ganhasse dois mil reais líquido, do que ralar a semana inteira em dois cargos (48 horas) para ganhar dois mil e trezentos reais? O ideal seria ganhar mais do que dois mil reais por um cargo de 30 horas. O ideal seria ganhar três mil líquido por um cargo. E para aqueles que quisessem, seria dada a opção de pegar mais dez aulas para completar um cargo de quarenta horas. Por que não?

Me responda se puder: por que uma funcionária do TJ ganha três mil e quinhentos reais, mais benefícios, para trabalhar seis horas por dia praticamente batendo carimbo, e nós, caro colega, ganhamos apenas mil, cento e vinte reais por mês para salvar o futuro do país?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Navegar é preciso...

Minha escola não entrou em greve. Então, hoje, voltei a dar minhas aulas normalmente.

Penso que a relação mais importante que devemos cultivar na escola é aquela entre nós, professores, e os nossos alunos. Você pode ser um excelente colega, um bom amigo dos outros professores, dos funcionários, dos diretores, mas se a sua relação com os seus alunos não for satisfatória, você vai ficar doente. Da cabeça ou do corpo. Ou de ambos.Se não conseguimos estabelecer um mínimo de respeito mútuo nessa relação, onde é que fica a nossa dignidade? E a nossa sanidade?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Diário de greve (3)

"Ah, é? Não querem fazer greve? Pois faço eu, por minha própria conta e risco".
E fiz. Três dias de greve individual. Se vou levar falta? Se vão descontar no meu salário? Como é mesmo aquela música? "Tô nem aí, tô nem aí!"

Tem uma coisa que os professores precisam entender: por mais que lutemos, por mais que tenhamos algumas vitórias, ainda vai demorar um século para sermos valorizados como merecemos. Ainda mais com esses políticos no poder que preferem ser lembrados pela construção de um viaduto, pela duplicação de uma avenida, do que por ter dado educação de qualidade para seu povo.

Lembrem-se de que demorou quase dois séculos, depois de iniciada a Revolução Industrial, para que os operários ingleses tivessem carteira assinada, férias remuneradas, salário mínimo, jornada de 48 horas semanais.

Esse governo mentiroso merece ser desmascarado. Vamos jogar lama na purpurina do homem, minha gente!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Professores que piram (2)

Deu no jornal. Uma professora fluminense, casada, de 38 anos, levou o aluno-amante de 15 anos para o motel. O marido, desconfiado há tempos, seguiu o casal e deu o flagrante.

Foram todos parar na delegacia. De acordo com a legislação brasileira, relação sexual com menor acima de 14 anos é  vista como "consentida".  Resultado do BO: "caso a apurar".

Não sou preconceituosa. O amor não tem idade. Mas com tanto homem vira-lata no mundo, a professora tinha que se envolver logo com um aluno??? O rapaz é praticamente um baby!!!

Talvez esteja aí a chave para entender o caso. Talvez a professora quisesse ensinar as artes do amor ao seu pupilo. Ou era o rapaz que queria dar um upgrade na autoestima da professora?

Vai saber...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Diário de greve (2)

Hoje, representantes do sindicato estiveram na escola para convencer os professores a entrarem em greve. Perguntei sobre o percentual de adesão ao movimento. 75%. Bom, muito bom. Poderia ser mais, mas...

Como sou a favor da greve, nem esperei todo o discurso dos sindicalistas. Fui logo para a sala multimeios assim que acabou o recreio, pois estou passando um documentário ótimo para meus alunos dos oitavos anos: "Pro dia nascer feliz", do diretor João Jardim. Excelente filme sobre a educação brasileira. Uma ótima reflexão sobre a nossa realidade.

domingo, 12 de junho de 2011

Diário de greve (1)

Minha escola não entrou em greve, ainda. Fui voto vencido. Talvez a partir da próxima quarta-feira...quem sabe?

terça-feira, 7 de junho de 2011

É greve?

Mais uma greve de professores da rede estadual desponta no horizonte. Mais uma. Todo ano é a mesma coisa. O sindicato só parece ter essa opção para oferecer aos professores.

Eu não sei quanto a você, caro colega, mas a minha opinião é a de que não podemos entrar em greve sem analisarmos muito bem a situação. Não é o sindicato que repõe as aulas. Somos nós. Somente nós é que sabemos o quanto as greves são terríveis, principalmente para os professores que têm dois cargos. Depois é aquela loucura, aquela correria, sem sábados para descansar, lotados de trabalho, prazos apertados para entregar notas, alunos que faltam às aulas de reposição, enfim, ninguém merece o pós-greve.

Se o sindicato está propondo uma greve, eu quero saber direitinho para quê. Quais são as reivindicações? Muitos vão dizer: "Ah! É o piso. Queremos o piso". Ok. Mas se pensarmos bem, o que deveríamos querer é que o governo do estado se manifeste e nos apresente um plano de carreira que realmente nos satisfaça.

Pensemos. O estado ainda está recebendo as requisições para a volta à carreira antiga. A julgar pela morosidade da SEE, os protocolos só serão processados lá para agosto, "a gosto de Deus"! Depois é que vamos ver como vai ficar o pagamento. Sem falar nos muitos professores que precisam regularizar seus biênios e quinquênios e pós-graduações.

O estado vai alegar que já paga o piso, proporcionalmente. O piso é para o ensino médio. E como fica o piso para quem tem curso superior? E a questão da proporcionalidade de tempo aula/planejamento? Sim, porque a lei diz que são 2/3 das 40 horas em sala de aula e 1/3 para planejamento. Se o governo de MG for obedecer a lei, um cargo teria que ser de 16 horas/aula em sala e 8 horas/aula para planejamento.

E esse silêncio do governo? Parece um jogo de xadrez. Temos que calcular muito bem as nossas jogadas. Poderíamos, por exemplo, optar pela estratégia de jogar lama na purpurina do governo. Se começarmos a denunciar todos os podres da Educação em Minas Gerais, o governo vai ficar louco. É só começar a denunciar a violência nas escolas, as obras mal feitas, a morosidade na regularização das vantagens, os equipamentos de informática que não funcionam, os projetos que não funcionam, a falta de estrutura de algumas escolas, enfim, tem muita lama para jogar no ventilador.

Greve é coisa séria. É desgastante. Não sou contra a greve, mas para funcionar a adesão do magistério tem que ser de, no mínimo, 90%. De qualquer foma, a hora é propícia. A péssima situação da Educação brasileira está na ordem do dia. E uma coisa é certa: não podemos perder o bonde da História.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Dia difícil

D. Margarida, às vezes, vira um monstro. Fica nervosa e insuportavelmente agressiva. Dizem que é o tal estresse. Eu acho que ela tem crises hormonais periódicas que a deixam com os nervos à flor da pele.

Tem duas coisas que irritam d. Margarida profundamente. Primeiro, a desorganização da escola, quando ninguém sabe onde foram parar as chaves da sala de multimeios, por exemplo, e ela, apesar de já ter agendado a atividade com uma semana de antecedência tem que ficar um horário inteiro para resolver o problema. Em segundo lugar, a falta de educação dos alunos que  este ano está vários níveis acima do normal.

D. Margarida está cansada. Ela está pensando seriamente em tirar uma licença psiquiátrica de um mês, ou declarar guerra aos alunos com ocorrências, relatórios, notas vermelhas e reprovação em massa. D. Margarida está furiosa. Eu acho que ela precisa tomar um remedinho tarja preta para se acalmar.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Palavrinhas e palavrões

L. tem 14 anos e uma caligrafia péssima. Na aula passada, não consegui corrigir sua atividade porque não dei conta de decifrar o que ele tinha escrito no caderno.

"Pode deixar, professora. Eu passo a limpo. Eu passo a limpo."

"Na próxima aula, então, dou o visto no seu caderno, está bem?"

Chegou a "próxima aula". L. estava lá, me esperando, impaciente, com o caderno em riste:

"Olha meu caderno, professora! Olha meu caderno!"

Com custo consegui convencê-lo a esperar, um pouco. Após passar novas atividades no quadro, sentar e fazer a chamada, recebi L. e seu caderno em minha mesa.

Começei a corrigi-lo e, como de costume, algumas respostas não estavam corretas. Fui corrigindo e explicando, corrigindo e explicando...quando me deparei com a última questão, simplesmente ilegível.

"L., o que está escrito aqui?" interroguei-o. "Que palavra é esta? Leia-a para mim, por favor."

O menino atrapalhou-se todo. Não sabia responder. Ficou claro que tinha copiado a resposta de algum colega. Apontou um "AE" e disse que era Estados Unidos. Al Qaeda estava grafada como "a gaba". Nem ele, coitado, entendia a própria letra.

Somadas toda as questões, as corretas e as incorretas (mais incorretas do que corretas), ainda lhe dei dois pontos no exercício que valia quatro.

De repente, L. arrancou o caderno das minhas mãos, saiu batendo o pé, morto de raiva, parou no meio da sala,virou-se para mim e disse:

"Vai tomar no c...!"

Fiquei surpresa. Nunca um aluno havia falado comigo assim. Imediatamente pedi que saísse da sala. E continuei a aula, normalmente.

Mas, quer saber? Achei foi é graça no jeito de L. dizer "vai tomar no c...". Ele bateu o pé, deu uma olhada de lado, uma quebrada de pescoço, e sem alterar o tom de voz, bem afetado, disse: "Vai tomar no c...!"

Não tem problema não. Farei a ocorrência, chamarei a mãe e blablablá, blablablá. Nada se resolverá. Não posso suspendê-lo. E ainda terei que reconquistá-lo.

É melhor rir  do que deprimir.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Corajosa! Poderosa! Fabulosa!

Se você tiver um tempinho,caro colega, dê uma olhada na barra de vídeo que adicionei ao blog, com o depoimento da professora Amanda Gurgel, do RN.

Se estiver rodando muito devagar, é só ir no You Tube e selecionar Professora do RN.

O melhor vídeo dos últimos anos!

Ainda sobre a polêmica do tal livro dídático...

E quando alguns caros colegas dizem "vou estar encaminhando", "vou estar distribuindo", "vou estar passando nas salas de aula"? Sinto vontade de esconder minha cara em um buraco no chão. Esta praga medonha, o "gerundismo", contaminou a nossa língua e está presente em todo lugar, até na escola.

Ah! E existem outras pérolas que escutamos entre os nossos pares, todos os dias: "estou meia doente"; "estou menas cansada", "vamos parar com essa discurssão", "são meio dia e meio".Enfim, me responda, por favor: você corrige os seus colegas? Qual é a diferença entre as pérolas citadas acima e o "nóis foi", "nóis cumeu", "nóis gosta", dos alunos??

Todos nós cometemos erros de português. Nossa função enquanto educadores é ensinar, praticar e difundir a norma culta da língua. E não precisamos carregar na tinta para corrigir nossos alunos. Podemos fazer isso de maneira leve, bem humorada e mais tolerante. Afinal, o aprendizado da língua é para a vida toda. E na escola, penso eu, o mais importante e mais difícil é aprender a pensar, a raciocinar, a relacionar e construir conhecimentos úteis. O mais difícil é aprender a ler o mundo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sobre a polêmica do livro didático

A polêmica já esfriou, mas vamos lá...

Sinceramente, para mim a questão é clara e  muito simples.A maioria dos meus alunos não falam e não escrevem usando a norma culta da língua. A minha função como professora é ensiná-los a se expressarem na norma culta.

Apesar de ser professora de história, sempre corrigi a ortografia nos trabalhos, provas e textos. Peço para eles reescreverem três vezes cada palavra que erram. Exijo capricho com o caderno. Ensino a saltar linhas entre uma questão e outra. "O texto precisa respirar". "Como assim, professora? Desde quando texto respira?" Eles acham graça. Ameaço tirar um ponto se eles escreverem o nome de um país com letra minúscula. E eles escrevem: brasil, frança, portugal. Oitavos e nonos anos! Xingo quando a letra é um garrancho: "Não sou paleógrafa! Se você não der um jeito na sua letra, você será prejudicado na sua vida escolar. Você é um menino inteligente, você tem que melhorar sua caligrafia!"

Ajo dentro do meu limite. Não sou a professora de português. E não acho que a responsabilidade pelo ensinamento da norma culta da língua deva ser exclusivamente dela. Não digo aos meus alunos que eles falam ERRADO. Não uso esse argumento contra eles, mas me esforço para que eles aprendam a ler e a escrever dentro de um padrão de inteligibilidade.

E quando um aluno escreve "pacto colonial são quando portugal só comércio e a colônia só faz comércio com metropolitano", o que eu faço? Dou meio ponto. Valeu a intenção. Ele quase chegou lá.

Procuro não sofrer. Não alimento falsas expectativas em relação aos meus alunos. Sou exigente na qualidade e na quantidade das atividades, pois eles têm que se desenvolver, estão na escola para isso.

De vez em quando, eles me surpreendem. E esses momentos em que eles mostram que apreenderam algum conhecimento valem todos os outros.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio, "dia da macumba"?

Quando eu era menina, o 13 de maio era comemorado na escola como uma data muito importante: o aniversário da Abolição da Escravatura.

Pois bem. Perguntei aos alunos: que dia é hoje?

"Dia da macumba", responderam, por ser hoje uma sexta-feira 13, dia de azar.

"O que comemoramos no dia 13 de maio?", perguntei.

Ninguém soube responder.

Acontece...

Na terça-feira passada, tive um chilique durante a quarta aula no oitavo ano c. Estava transbordando de impaciência por causa da conversação incessante, quando um aluno jogou o estojo do colega pela janela. Um outro que já estava à espreita, perto da porta, esperando qualquer distração minha para sair da sala, saiu sem me pedir permissão para buscar o tal estojo.Dei um berro no corredor que foi ouvido em todas as outras dez turmas da escola:

"Ô menino, quem deixou você sair? Volte agora pra sala de aula!"

"Calma, professora. Vou buscar o estojo..."

"Não me interessa. Entre agora!" E me dirigi à turma: "Vocês estão pensando o quê? Preparo a aula com o maior carinho e vocês não param de conversar um minuto sequer?"

A professora de Ciências veio em meu socorro: "Gente, estou dando uma prova na turma ao lado, vocês estão conversando muito alto, o barulho está atrapalhando os outros alunos..." ela falava baixinho para ver se os ânimos se acalmavam.

Eu, transtornada, continuei com minha metralhadora verbal:

"Vocês só vem à escola por causa da bolsa família. Só estão aqui para as mães de vocês receberem o dinheiro do bolsa família".

Aí o caldo entornou de vez: os alunos se ofenderam e começaram a retrucar, o tumulto aumentou, a professora de ciências desistiu de me ajudar  e foi embora. O bate boca insensato continuou até a chegada da especialista que fez com que todos se calassem. Não esperei duas vezes. Aproveitei o silêncio e emendei o meu discurso:

"Esta turma não sabe fazer silêncio para ouvir a professora! Eu peço 'por favor', mas ninguém me atende, então eu grito porque essa parece ser a única linguagem que vocês entendem. O que vocês pensam que eu sou? Vocês acham que eu tenho sangue de barata? Respeito às pessoas é uma coisa que se aprende em casa, com a mãe. Eu sou a professora! Vocês acham que eu caí aqui de pára-quedas? Eu estudei para estar aqui, eu me formei em uma das melhores universidades do país, eu fiz concurso público, passei, estou aqui por mérito! Eu sei o que estou fazendo quando preparo uma aula com  o maior carinho, para que esta aula seja a menos chata possível, para que vocês possam se desenvolver, desenvolver o cérebro, aprender a pensar, a ter senso crítico, que é única coisa para a qual a escola serve! O problema é que eu dou liberdade para vocês e vocês perdem o limite! Esta turma não tem limite!..." e blá, blá, blá...

Ao fim e ao cabo, os alunos até se comoveram com o meu discurso e concordaram comigo, a especialista me apoiou, e tudo ficou relativamente em paz.

Mas a ressaca moral de ter batido boca com adolescentes, de ter tido esse momento de descontrole e ter dado detalhe pra escola inteira... Ah, essa ressaca é péssima!

domingo, 8 de maio de 2011

Dia dos professores-mães.

Dia das Mães, domingo em família.

Somos todos nós, professores e professoras, movidos por um forte instinto protetor e maternal que nos protege de certa forma da selvageria da crise de valores que vivemos hoje em dia, nas salas de aula.

Sempre digo aos meus alunos: quem ensina a se comportar educadamente, a escutar, a respeitar as pessoas, a saber falar na hora certa é a mãe (e o pai, quando eles têm um). Professor ensina a matéria. (E dá exemplo de boa educação, obviamente).

Discurso velho e pouco realista porque, na prática, acaba sobrando pra nós, caro colega, a educação de alunos que parecem não ter mãe.

Antigamente, a família educava e a escola instruía. Hoje a família não educa e a escola não dá conta de instruir satisfatoriamente porque gasta tempo demais tentando civilizar os alunos.

Por isso, desejo a você, caro colega, um feliz dia das mães. Sim, hoje é o seu dia também.

terça-feira, 3 de maio de 2011

To subsídio, or not to subsídio?

Todos devem estar se perguntando sobre qual a melhor opção: retornar à velha carreira ou ficar na nova?

Passei a tarde na internet pesquisando sobre o assunto e, pasmem, não consegui acessar o site da Secretaria de Estado da Educação!

O Euler, no seu blog, diz que devemos voltar pra carreira antiga e lutar pelo piso já aprovado pelo STF (leia). A opinião do sindicato, saberei amanhã, na assembléia.

Aconteceu no IPSEMG. O governo transformou o salário dos servidores num valor unificado tipo subsídio e deu opção de escolha, carreira nova ou antiga.Sabe o que aconteceu? A carreira antiga foi congelada e o governo foi  incorporando lenta e gradualmente todas as vantagens ao vencimento básico.

Os servidores entraram na justiça e perderam, pois o governo alegou que "não existe direito adquirido sobre regime jurídico". Traduzindo: o governo pode fazer as alterações que quiser na composição do contracheque, desde que não haja redução do valor total do vencimento. Esse é o entendimento do poder judiciário.

Mas, no caso do IPSEMG, os funcionários não tinham a seu favor uma decisão federal instituindo um piso salarial como vencimento básico.

E aí?  Optar pela velha carreira e meter logo uma greve de 60 dias nas fuças do governo, exigindo o cumprimento do piso, ou se manter no subsídio? Financeiramente será que vamos trocar seis por meia dúzia?

Ai , meu Deus! Por que não estudei Direito como mamãe queria?

To subsídio, or not to subsídio?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Idiot´s Republic

Estou às voltas com os diários de classe dos tempos das nossas bisavós, gastando as "tardes da eternidade" a preencher e somar manualmente presenças, faltas e notas. A inoperância desse governo do PSDB que se diz competentíssimo, eficientíssíssimo me irrita profundamente.

Que atraso de país! O Brasil tem se destacado como campeão absoluto dos últimos lugares nos rankings internacionais que medem a qualidade da Educação. Desta vez foi o último colocado, entre 36 países, em número de diploma de curso superior.  Em 2008, apenas 11% dos brasileiros tinham diploma universitário. A média dos países da OCDE é de 28%.

O que adianta ter curso superior se ganho menos que profissionais que não têm diploma?

E eu aqui, somando 4,3 + 5,2 + 2,8 + 3,3 + ... na calculadora. Ridículo!

sábado, 16 de abril de 2011

Reconhecimento

Perguntei na prova: "O que você achou mais interessante neste bimestre? Por que?"

(Sim, eu me permito ser avaliada pelos meus alunos).

K. respondeu (ipsis litteris):

"No dia em que nós tivemos uma Conversa e Jogamos uma Brincadeira de Natureza e cultura porque ela sabe conversa e não grita e não Joga na nossa cara que Somos a pior sala tenho esperança que iremos mudar."

Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ninguém merece

Último horário.

Professora:
:(Em tom normal) Silêncio, por favor.

Alunos:
Blá, blá, blá, zum, zum, zum, rs, rs, rs, etc.

Professora:
(Um pouco mais alto) Vamos começar a aula?

Alunos:
 (Indiferentes) Zum zum, zum, rs, rs, rs, blá, blá, blá, etc.

Professora:
(Mais alto) Turma, vamos fazer silêncio, POR FAVOR?

Alunos:
(Nem aí) Rs, rs, rs, zum, zum, zum, blá, blá, blá, ti, ti, ti, gritos, etc.

Professora:
(gritando) VAMOS FAZER SILÊNCIO E COMEÇAR A AULA, POR FAVOR??

Aluna:
Que é isso, professora? Pára de gritar no nosso ouvido! Tá pagando uma de louca?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Luto (2)

O Massacre em Realengo foi um ataque premeditado por uma mente psicótica. O assassino seguiu todos os passos de "modelos clássicos" desse tipo de crime. Realmente, é primeira vez que um fato como esse ocorre no Brasil, mas digo e repito: armas de fogo entram nas escolas públicas deste país, todos os dias, escondidas nas mochilas de estudantes ligados ao tráfico de drogas.

As escolas das periferias das grandes cidades são verdeiras bombas-relógio. Assassinatos entre estudantes, brigas, agressões, professores ameçados e atacados, vandalismos, tudo isso faz parte do nosso universo escolar, cotidianamente.

Hoje, a minha primeira aula foi no difícil oitavo ano B. Durante os primeiros 30 minutos, promovi um debate sobre a tragédia. Apesar da disciplina caótica, deixei que falassem, falassem, falassem...E não é que um deles me ameaçou? Em voz baixa, quase um sussurro, tavez para os outros colegas não ouvirem, passou por mim  dizendo: "O cara matou mesmo! E eu também mataria uma professora como você, brincando..."

Eu estava sem energia para responder à altura. Deixei passar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Luto

Não sei o que dizer... o que pensar...


O iceberg emergiu, deixando à mostra sua frieza assassina.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Se não estão satisfeitos..."

Caros colegas,

Muitos de vocês já devem ter escutado a infame frase: "Se não estão satisfeitos, procurem outro emprego!"

Estamos lá, na árida reunião pedagógica, uma  verdadeira nau sem rumo porque falta às especialistas e à direção a condução do debate para acharmos soluções concretas e viáveis para os nossos incomensuráveis problemas.

Os professores, frustrados, começam a reclamar. Então alguém, geralmente da equipe da direção, nos insulta: "Ah! Não estão satisfeitos? Então vão trabalhar em outro lugar, com outra coisa!"

Comentando esse fato com um amigo, diretor escolar, descobri que essa frase é usada pelos próprios analistas da educação da Secretaria de Estado da Educação! Ou seja, os analistas da educação, durante as reuniões na Secretaria de Educação, insultam os diretores e eles, como papagaios, repetem a frase infame, sem questioná-la.

Comigo não. Subo nas tamancas e digo em alto e bom tom: "Que falta de respeito!"

Concordo que reclamar por reclamar, sem apresentar propostas, não nos leva a nada. E muitos professores fazem isso. Mas, e quando apresentamos propostas e somos ignorados? Ou quando nossas propostas contrariam a visão BURROcrática da Secretaria de Educação e são descartadas sem serem minimamente testadas? Ou quando falta ousadia à direção para tentar caminhos alternativos?

Acho que é por isso que os professores reclamam tanto: porque são tratados como meros executores das políticas educacionais, sempre impostas de cima para baixo.

Reclamo sim! E não aceito, não aceito, não aceito que ninguém me diga que devo procurar outra profissão! Sou uma boa professora, dou o melhor de mim para meus alunos e para a escola. Gosto do que faço e procuro fazê-lo bem. Então não me venham com frases de efeito para arrasar minha autoestima. Já é muito difícil manter a sanidade no planeta Educação. Prefiro ser uma rebelde feliz do que uma profissional conformada, neurótica e deprimida.

sábado, 2 de abril de 2011

"Rede Cegonha". Nada contra, mas...

A primeira gravidez do ano letivo já foi anunciada: V., 15 anos.

Será que vamos bater um novo recorde em 2011?

No ano passado, foram, pelo menos, cinco gravidezes no turno da manhã. Idade das gestantes? De 13 a 16 anos.

O governo Lula reduziu os índices de gravidez na adolescência de 700.000 partos/ano para 400.000 partos/ano.

Será que a Dilma tem um projeto pra acabar com esse "absurdo dos absurdos" de uma vez por todas?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BURROcracia (2)

Já se passaram dois meses desde o início das aulas.

Até hoje não recebemos nossos diários de classe.

Dos 12 computadores que estavam conectados à internet, apenas um, agora, tem acesso à rede.

O controle remoto do DVD está quebrado. Se quiser passar um filme para os alunos, tenho que usar meu próprio equipamento.

Tá difícil.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Comida , sexo e dinheiro

Uma vez, participei de uma oficina de marketing. O professor disse uma frase que nunca mais me saiu da cabeça: " A maioria das pessoas só pensa em comida, sexo e dinheiro". Esse é o pressuposto básico dos publicitários.

Transferindo essa "filosofia mercantil" para a Educação, penso que meus alunos não aprendem, não porque lhes falta inteligência, mas talves lhes falta um certo interesse. E eles têm razão.

Para que estudar a Revolução Inglesa do século XVII? Ou a Revolução Francesa nos seus mínimos detalhes (fase do terror, Convenção Nacional, Diretório, jacobinos, girondinos, etc.)? Para que? Para que torturar os alunos com minúcias do jogo político do período regencial? Para que se concentrar em questões analíticas que estão além da capacidade de compreensão dos alunos? E por que eles não compreendem? Por que não são inteligentes ou por que aquilo não lhes diz nada, absolutamente nada?
Existem questões historiográficas que só deveriam ser objeto de discussão no ensino superior. Ou no ensino médio. Alguns tópicos são completamente inúteis no ensino fundamental.

Penso, muitas vezes, em levar para meus alunos somente documentos interessantes sobre o tema "comida, sexo e dinheiro". Dentro disso, vários subtemas surgiriam: organização familiar, violência, racismo, drogas,  moda, arte, religião, hábitos, festas, problemas cotidianos, escravidão, revoltas populares e trabalho. E, através desses temas, ensinar política e economia. E, através desses documentos, ensinar a ler e a entender o que se leu. E ensinar a escrever com uma certa lógica, com começo, meio e fim.

Penso que seria melhor pra eles e para mim, se eu seguisse o meu próprio CBC. Não rejeito o Currículo Básico Comum de História, mas gostaria que as escolas tivessem mais autonomia para criar um CBC próprio, a partir do CBC oficial.

terça-feira, 29 de março de 2011

Violência, violência, violência...cansei.

Esse assunto está me cansando. E me deprimindo.

A semana passada foi negra. Foram mais três ocorrências policiais pesadas . Todas em escolas estaduais Em duas escolas, alunos levaram armas que dispararam acidentalmente. Ninguém ficou ferido, felizmente. Em outra, uma aluna foi obrigada pelos colegas a entrar em uma gaiola (porta-tv) - a "gaiola das popozudas". E a ocorrência mais sinistra foi sobre a morte de um estudante, esfaqueado pelo colega na porta da escola, por causa do desaparecimento de um celular. Isso aconteceu em Juiz de Fora.

Vamos combinar? Se eu ficar falando de violência nas escolas só vai rolar esse assunto neste blog.Ainda na semana passada, houve uma briga na minha escola, entre quatro estudantes. Um deles foi parar no hospital. Nós, professores, deveríamos receber "adicional de periculosidade" como os policiais e os bombeiros.

A sociedade mineira está completamente "anastasiada". Não protesta, não se manifesta. A violência é tão endêmica, no Brasil, que não nos assusta mais. Precisamos que o caso seja escabroso, horroroso, com requintes ficcionais de crueldade para nos comovermos. Facadas e tiros é arroz com feijão. Todo dia tem.

Sugiro que alguém crie um blog só pra denunciar essa situação. Alguém que tenha estômago de repórter policial. Garanto que não vai faltar assunto. Não sirvo pra isso.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Bang! Bang!

Leio no jornal O Tempo a notícia de um estudante de 16 anos "apreendido após disparar uma arma dentro da Escola Estadual Carlos Drummond, no bairro Jardim Felicidade",em Belo Horizonte.

 Segundo o rapaz, o revólver calibre 32 disparou acidentalmente. Um funcionário ouviu o tiro e encontrou o aluno guardando a arma na mochila. A polícia militar foi acionada. Em depoimento, o jovem disse que a arma era de um desconhecido que prometeu buscá-la no fim da aula.

Diretoria e professores fizeram uma reunião para "avaliar o caso e definir se haverá punição ao aluno". O resultado dessa reunião não foi divulgado.

Percebe o detalhe, caro colega? Professores e diretoria vão decidir "se" haverá punição. Como assim: "se" ?

Outro detalhe: você acha que a notícia foi manchete? Nada disso. Quase uma nota de rodapé da sessão Cidades. E o que isso nos mostra? Que notícias como essa são corriqueiras e não causam mais espanto? Ou que o estado abafou o caso? É claro que a Secretaria de Educação tenta abafar todos os casos de violência que extrapolam os muros das escola. Às vezes, a coisa escapa. O que vemos no horizonte é a ponta do iceberg.

Já aconteceu na minha escola.  M., quando tinha apenas 12 anos, apareceu na escola com uma arma na mochila. A polícia foi chamada. A vice-diretora deu seu jeito: o garoto continuou na escola  até o término do ano letivo. No ano seguinte, sua matrícula foi recusada. Ficamos uns bons anos sem ver aquela carinha.

Mas o mundo é redondo e, este ano, M. voltou. Não é meu aluno. De vez em quando, ele aparece na porta das minhas aulas. "E aí, 'fêssora'?" "E aí, M.?", respondo. Peço licença e fecho a porta. Trato-o bem, mas tenho medo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Inclusão digital? Onde? Como? Quando?

No meu perfil está publicado que já passei por várias escolas. Pois bem, em todas elas as salas de informática ficavam trancadas. Quando solicitávamos a chave, as diretoras se recusavam: "o laboratório não está funcionando"; "estamos aguardando um professor de informática da Secretaria de Educação"; "você já fez curso de informática?"; "os alunos vão estragar os computadores", etc.

Quem já tentou furar esse bloqueio sabe do que eu estou falando. A coisa pode até ter melhorado de uns tempos pra cá, acredito eu. O fato é que muitas diretoras mantém uma postura de "proprietárias" das escolas públicas. Elas se acham "as donas da escola". É claro que elas são donas da escola pública. Todos nós somos donos da escola pública: professores, alunos, serviçais, secretários, pais, enfim, toda a sociedade é. O que está lá é pra ser usado por todos.

A escola na qual trabalho passou por uma longa reforma. O prédio foi praticamente reconstruído e, finalmente, passamos a ter a nossa sala de informática. Trancada: um ano, dois anos... e sem explicações concretas.

Somente com a mudança da direção e ainda sem solução para o imbróglio BURROcrático que não permite que os computadores da SEE-MG sejam ativados, é que a nova diretora, pessoa esclarecida, abriu as portas da sala de informática.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Soluções práticas

A vice diretora foi bem esperta e agiu rápido.

O local escolhido pela "quadrilha da fumaça" era protegido por um muro de pouco mais de um metro. Para adolescentes, muito fácil de transpor. Para nós, professoras balzaquianas, um certo obstáculo. A solução? Derrubar o muro.


Hoje, fomos à sala de informática. O 9º ano A e eu. Há, na sala de informática, 27 computadores. Foram cedidos pelo governo federal 16 computadores. Pelo governo estadual, 11. Dos 16 primeiros, apenas 12 estavam conectados à internet. E nenhum dos 11 computadores que vieram da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais estava funcionando.

São a (in)competência e a (in)eficiência do Governo de Minas em ação.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Drogas S/A.

Mal termina o carnaval e a roda viva começa a girar ferozmente.

O pau quebrou duas vezes.

A professora de ciências foi chutada por um aluno que queria-porque-queria sair da sala antes do sinal. A professora, abaladíssima, exigiu a presença dos pais do apressadinho imediatamente. Na hora de chamar a polícia e fazer o BO, sentiu pena da mãe do menino e resolveu não registrar a queixa.

A mãe de um aluno da educação básica resolveu passar na escola para pegar o filho mais cedo. Diante da negativa do porteiro em deixá-la entrar, não hesitou em dar um soco na cara do porteiro e ainda prender seus dedos no portão com toda força. Por que o porteiro não deixou essa mãe furiosa entrar?

Drogaditos e Cia.

A maconha está rolando solta na escola. A turminha rebelde fuma atrás da cozinha da sala dos professores. Muita gente sente o cheiro e dá notícia. Ninguém faz nada. Eles têm medo. Quem garante que o adolescente não vai voltar armado pra escola e disparar tiros para todos os lados? Quem garante que ele não vai quebrar a janela do carro de quem enfentá-lo?

Se eu fosse a diretora ( graças a Deus , não sou) daria o flagrante sem dó, levaria todos pra minha sala e lhes diria o seguinte:

_ Olhem aqui: eu não tenho nada com a vida de vocês. Se vocês querem fumar, que fumem! Se querem cheirar, que cheirem! Se querem beber, que bebam! Vocês podem fazer o que quizerem da vida de vocês, desde que seja bem longe da escola! Aqui, não! Aqui não é lugar para fumar maconha e sabem por que? Porque aqui  tem crianças de sete, oito anos que também estudam nessa escola. Se der algum problema grave, vai dar problema é pra mim. Vocês querem que eu perca meu emprego? Eu tenho família pra sustentar. Eu não tenho nada contra vocês. Vocês têm alguma coisa contra mim? Vamos combinar o seguinte: eu não chamo a polícia e vocês nunca mais façam isso aqui, na escola, entenderam? Vou fazer de conta que nada vi, nada sei, e vocês prometam que nunca mais vão fazer isso, ok?

É isso que acontece por aí. A polícia não  fica sabendo da missa, a metade. As diretoras preferem fazer um acordo com os alunos "drogaditos". Vale mais a pena tentar estabelecer uma trégua temporária do que chamar a polícia.  E elas estão certas. Certíssimas. Não há outra saída pra essa situação.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Outros carnavais.


D. Margarida é brasileira, mas quando chega o carnaval sente-se melancólica.  Este ano, especialmente, com essa chuvarada que não parou de cair um instante sequer, D. Margarida adentrou outra dimensão do espaço-tempo. Foi o carnaval da ausência, sem vestígios da folia. Foi como se não fosse carnaval.

Uma coisa é não pular o carnaval, mas curtir o clima da festa, ouvir música, reunir os amigos; promover seu carnavalzinho particular; tomar porres íntimos e sambar ao som das velhas marchinhas. Outra coisa é  não sentir mais o carnaval dentro de você e deixar o tédio tomar conta do espírito.

Então, D. Margarida sentiu saudade.Saudade da época em que bastava ouvir um batuque para sair sacolejando feito uma epilética, se achando um destaque da Beija-Flor. Saudade do sobe-e-desce-ladeira do carnaval de rua das cidades do interior; da cerveja gelada, dos porres de cachaça com as amigas; dos beijos roubados dos moços bonitos; dos blocos, dos cordões, dos trios elétricos, das músicas, da loucura, do non sense, do inferno.

Para D. Margarida, a confusão começava na quinta-feira e só terminava no outro domingo, três dias depois da quarta-feira de cinzas. Seu carnaval era quase baiano: uma semana antes, uma semana depois. Fantasias? Melindrosa, bailarina, cigana, havaiana, toureira, freira, e outras tantas, improvisadas. Um sucesso.

Há décadas, D. Margarida não brinca mais o carnaval. Ela não sabe o que aconteceu. A vida é um pouco assim: por comodismo ou circunstância, as pessoas deixam pra lá vivências, gostos, costumes, tradições e hábitos que alimentam a alma. Sinto um pouco de pena dela.

A alma de D. Margarida sente saudade de outros carnavais.  Quem sabe, no ano que vem...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Números da Educação em Minas Gerais

Em Minas Gerais, um professor trabalha cerca de 9 horas por dia, em 2 cargos, para ganhar algo em torno de 4 salários mínimos bruto. Líquido, o salário cai pra três salários mínimos. Somando o tempo gasto com transporte e horário de almoço, o professor sai de casa às 6 horas da manhã e só retorna às 19 horas. São 13 horas por dia dedicados ao trabalho, o que dá 65 horas por semana. Quando chega em casa, ainda tem que corrigir trabalhos e preparar aulas, ou seja, boa parte do seu horário de descanso e de afazeres domésticos, dos fins de semana, feriados e das férias também são dedicados ao trabalho.

Em dois cargos, ele leciona para 12 turmas (três aulas por turma) o que dá 420 alunos no total (35 alunos, em média, por turma). A cada bimestre, ele corrige, no mínimo, 1260 trabalhos, entre exercícios e provas (3, no mínimo, por aluno). Isso tudo, por baixo. Porque se ele lecionar 02 aulas em cada turma, serão 18 turmas, 630 alunos e 1890 exercícios por bimestre. Além, é claro, dos diários pré-históricos (mesmo número de turmas) onde ele terá que fechar 630 resultados manualmente (somar notas e faltas).

Esses são os números básicos da educação em Minas Gerais.

quinta-feira, 3 de março de 2011

"BURROcracia"

Já se passou um mês desde o início das aulas. Ainda não temos um horário de aulas definitivo, nem diários de classe prontos, muito menos livros didáticos distribuídos.

No entanto, estamos lá, firmes, driblando a desorganização com criatividade, boa vontade e paciência.

Depois dizem por aí que professor é "despreparado".

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quando o pau quebra (2)

Hoje o pau quebrou e foi na minha aula. Oitavo ano B. Dois últimos horários. Para começar tive de esperar dez minutos até eles se acalmarem da agitação após o recreio. Silêncio feito, fizemos um combinado: dez minutos de exposição do conteúdo, depois um exercício e vistos e notas no caderno. Ok? Ok!

Enquanto eu percorria as carteiras, olhando caderno por caderno, alguns espertinhos iniciaram uma guerrinha "normal" de bolas de papel."Vamos fazer de conta que vocês têm 14 anos?", falei. Depois de muita argumentação sobre a infantilidade da situação, consegui estabelecer uma trégua. Tênue.

Observei que J.L. estava cabisbaixo, chorando. Era a segunda vez que isso acontecia nas minhas aulas. Alguns estudantes inportunavam-no. Percebi que J.L. estava sendo vítima de bullying. Avisei: "Quem mexer com ele vai levar uma ocorrência!"

Tudo isso ia acontecendo enquanto eu olhava os cadernos e cobrava dos preguiçosos a realização da atividade. O clima estava tenso. Aí, do nada, um garoto apertou o dedo do outro entre a cadeira e a carteira. Aquele que teve o dedo "esmagado" ficou com raiva, tomou o guarda chuva do colega (que não parava de bolinar os outros com o tal objeto) e o arremessou para longe.

Eu só vi aquele guarda chuva vindo na minha direção, rodando como um bumerangue. Consegui desviar a cabeça no último segundo. Peguei o guarda chuva. O dono veio atrás de mim. Começei a andar pela sala e o menino atrás de mim. Pedi a uma aluna para chamar a vice-diretora imediatamente. O aluno desistiu e saiu. Pensei: "Já vai tarde!" E disse a ele "Você só volta aqui com a sua mãe."

Quando a vice-diretora chegou, fiz o relato completo. Ela tomou as providências cabíveis. E se aquele guarda chuva tivesse me acertado? Nem sei o que teria feito.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Currículo Básico

Professores fariam bem se ensinassem seus alunos a votar nas pessoas certas. Seria uma revolução de verdade. Se tivéssemos o poder de decidir eleições ou de pelo menos influir em um percentual razoável dos votos, teríamos os governos aos nossos pés.

Doce utopia,  a de varrer do poder a canalhada que enche a boca para falar de Educação, mas na hora de fazer alguma coisa, desvia verbas, rouba a merenda dos estudantes, compactua com a máfia do livro didático, dá aumento de míseros 5%, e nos arrasta para o brejo da mediocridade.

Triste saldo. Entre 65 países, o Brasil é o 53º em Linguagem e em Ciências, e o 57º em Matemática.

O que os nossos alunos precisam  é de educação política.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Concurso Público

Dei uma parada na última semana por causa do concurso público da Prefeitura de Belo Horizonte. Foi ontem, domingo. Uma paulada na moleira. Saí com a cabeça doendo, os neurônios latejando.

Quarenta questões de pura teoria didático-pedagógica. Todas elas mediam o conhecimento do candidato sobre o ideal de uma Educação perfeita e eficiente. Todas as questões me remetiam ao que nós, caro colega, deveríamos ser, deveríamos praticar, deveríamos atingir... A teoria perfeita, fruto de anos, décadas, séculos de estudo e pesquisa.

Respeito a pesquisa acadêmica sobre Educação. Sem ela estaríamos muito pior. Sem teoria não avançamos. Em qualquer área. A crítica que faço é: na teoria, a prática é perfeita e poderosa. Já a realidade...Bem, a realidade, caro colega, nós a conhecemos. Como dizia o ilustre economista Joelmir Beting : "Na prática, a teoria é outra".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Alunos difíceis (2)

Tem uma turminha no oitavo ano b que vai me dar trabalho, muito trabalho. Perto dela W. é fichinha. Aliás, W. não foi à aula hoje. A classe parecia outra: super atenta e super interessada. O meu problema com W. é apenas um: ele consegue desestabilizar toda a turma. Meus raios neutralizadores não funcionam muito bem nele. Ou funcionam por um período e depois perdem o efeito. É um menino que necessita de doses constantes de raios neutralizadores.

Ah, você não entendeu direito? Raios neutralizadores? Vou explicar. Raios neutralizadores são a minha arma secreta contra alunos difíceis. Não se trata de paralisar o aluno, apenas neutralizar sua influência negativa dentro da sala de aula. Funciona basicamente assim:

a) RAIO 01 - Explico uma matéria qualquer e lanço uma pergunta para meus alunos. Olho imediatamente para o aluno alvo e aproveito qualquer coisa que ele diz. Mesmo que seja somente uma palavra no meio de um monte de pensamentos desconexos. Ou seja, SEMPRE VALORIZO A FALA DO MEU ALUNO  DIFÍCIL.

b) RAIO 02 - Peço aos alunos para fazerem uma atividade. Fico de olho no aluno alvo. Se ele não se mexer, vou até a sua carteira e prometo pontos. Mesmo que ele me traga um caderno caindo aos pedaços e o exercício todo incorreto, mesmo assim ele ganha os pontos. Ou seja, SEMPRE VALORIZO AS POUCAS ATIVIDADES QUE MEU ALUNO DIFÍCIL FAZ.

c) RAIO 03 - Procuro tratar meu aluno difícil da mesma maneira que trato os outros: com boa vontade. Por isso, respondo a todas as perguntas, incluindo as mais estapafúrdias. Dou um jeito de torcer o sentido da provocação e mostrar que sua dúvida é relevante e que seu questionamento é inteligente. Ou seja, SEMPRE APROVEITO AS OPORTUNIDADES QUE SURGEM PARA FAZER O ALUNO DIFÍCIL ACREDITAR QUE ELE PODE, ELE CONSEGUE, ELE É INTELIGENTE.

Todo esse blá, blá, blá funciona? Nem sempre. Já desisti de muitos alunos pelo caminho.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Alunos difíceis

Infelizmente, não somos deuses, nem santos, nem monges budistas que treinaram a paciência e a compaixão até níveis inimagináveis. Somos pessoas de carne e osso, profissionais normais e, como todo mundo, desejamos realizar nosso trabalho com dignidade e um mínimo de satisfação para não pirar.

Por mais vocação para o magistério que você tenha, caro colega, sempre existirão aqueles alunos que irão testá-lo até o limite das suas forças. Um certo conflito é uma coisa atávica da relação mestre/discípulo. Não tem jeito, é a vida.

Deus me ajude, me ilumine, me dê paciência e guie meus passos, pois este ano W. será meu aluno novamente.

Amém.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Aumento?!

D. Margarida ganhava R$ 812,00 (um salário mínimo e meio). Agora ela ganha R$ 1.125,00 (dois salários mínimos). D. Margarida pensa que ficou rica. Eu acho que ela enlouqueceu.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Volta às aulas 2011

Imagine, caro colega, que você chega em sua escola no primeiro dia do ano letivo e encontra tudo organizado: turmas distribuídas, professores definidos, horário pronto, diários encaminhados, provas de estudos independentes rodadas e prontas para serem aplicadas. Todos estão felizes e satisfeitos. A diretora esclarecida, ao invés de coordenar aquela reunião chatíssima, convida todos pra assistirem a um filme interessante sobre Educação - "Entre os Muros da Escola", de Laurent Cantet, por exemplo. Após o filme, todos tomam um bom café acompanhado de deliciosos pães de queijo e debatem sobre o  filme.

Prezado docente, há apenas duas explicações para tal fato estranhíssimo: você trabalha na escola perfeita, ou teve um surto delirante. Como não existem escolas perfeitas...

Bem vindo à odisséia escolar 2011.